Comandante Niltinho

Comandante Niltinho: Um mergulho no Rio Araguaia !!!

Meus amigos, algum dia vocês já pularam de um trampolim? Eu não! Não destes pequenos, estou me referindo aqueles altos, de cinco metros de altura, aqueles que quando você esta na beirada e  olha para baixo, você se sente uma formiguinha, dá tonteira, um medo de arrepiar ate os cabelos, e se algum engraçadinho lhe der um empurrãozinho de nada e você despencar de qualquer jeito, aí sim pois, se pensa que a batida na água vai ser moleza, doce engano irmão, a bordoada é feia!
 
Meu instrutor de voo já dizia que, se tivéssemos que escolher entre cair no solo ou na água, melhor seria preferir o solo pois as conseqüências seriam bem menores!
 
No meu caso, entretanto, não tive escolha, tive que ir para dentro do rio mesmo, e foi aquela tragédia. Porém antes vou contar como eu cheguei à beira do trampolim.
Vocês se lembram da estória do primeiro avião que comprei? O Cardinal? Pois é, eu tinha um sócio naquele avião, um japonês, médico, que morava em Dracena no Estado de São Paulo!
 
Apaixonado pela Amazônia, queria por tudo comprar uma fazenda em Gurupi, Goiás, como de fato comprou mais tarde, e ai eu o convenci a se tornar meu sócio em um avião. No começo ele achou a idéia meio maluca, afinal nenhum de nos éramos piloto, porém  me propus a aprender a voar, e ai tudo bem!
 
 
 
 
Só que um dia ele se apertou financeiramente, assim me dizia ou foi porque ele ficou com medo de que eu morresse num desastre com o avião (ele deveria achar que eu era meio maluco e se acontece-sse alguma coisa comigo, ele ficaria com todo o remorso, afinal, tinha o coração de ouro, e se preocupava demais comigo), ele me pediu para vendermos o avião!
 

Como era muito bacana e me dizia que estava precisando de dinheiro, entreguei o avião para ele vender e assim ele sair do sufoco, só que ele acabou vendendo para uns “malas” de Cuiabá, fiado e, além de continuar no sufoco, ficamos sem o dinheiro e também sem o avião, pois os caloteiros quebraram o Cardinal logo nos primeiros vôos no pantanal e ai a coisa ficou preta!
 
Foi quando ele me disse:
“ – Só você agora, Niltinho, para resolver esta merda que fiz, vá para Cuiabá, pelo amor de Deus e vê se recebe alguma coisa daqueles “malas” porque eu já perdi a esperança!”
Ele achava que eu era bom de briga, afinal eu morava nos sertões de Goiás, aonde só tinha “matador” de gente, terra de cabra macho, e assim por diante, e como o meu dinheiro também estava em jogo, resolvi encarar aquele abacaxi, já sentindo, porém, que o nosso rico dinheirinho já estava amarrado no rabo do veado!
 
Parti para Cuiabá, sem esperança nenhuma, e lá chegando, confirmei a merda que meu sócio havia feito: os caras eram todos quebrados, tinham montado um taxi aéreo sem dinheiro, desceram o pau a comprar avião fiado, o nosso já era o terceiro, e por azar nosso e deles já tinham quebrado, não tinha como pega-lo de volta, o prejuízo tinha sido grande pois o avião tinha virado farinha!
 
Foi aí que pensei: tenho que achar um meio de tirar nosso prejuízo daquele balaio de gato, e tinha que ser na manha, e olha lá!
Aluguei um quarto em um hotelzinho barato, já prevendo que minha estadia seria grande, e caí em cima dos malandros, ia cedo e de tarde para o aeroporto, virei um carrapato nos calcanhares dos caras!
 
Tinha dito a eles, que só sairia dali com nosso dinheiro, caso contrario eles iam me ver por lá pro resto da vida! Cara, vocês imaginem um chiclete grudado em seu sapato? Assim estava eu, virei eu a sombra deles, até que um dia, o gordinho, andando comigo pelo pátio dos aviões me disse:
“ – Está vendo este Cherokee? (avião da Piper que equivalia ao Cardinal).
– Estou! respondi.
– É meu, também! Você quer ficar com este no lugar do seu?”
Moço, entendi logo o que ele queria fazer: compraria aquele fiado, e o passaria para mim, pagando sua dívida e me tirando da sua cola, ele não aguentava mais a pressão que eu lhe fazia.
“ – Negocio fechado!”
“ – Tenho que dar um tempo para ele ferrar mais um, pensei!”  E não deu outra, após uns três dias ele entregou-me a “carniça”, e só mais tarde vim saber de um acidente com o avião, tinham varado uma pista e bateram a hélice e isto quase causou a morte de meu irmão!
 
Recebi o avião e trarei de sair dali o quanto antes, tinha certeza que aqueles “caras” não iam aguentar o tranco por muito tempo!
Passando por Dracena, mostrei o avião para o Japonês, que, já nesta hora não queria nem falar de avião muito menos de continuar a sociedade, e acabei obrigado a comprar sua parte!
 
Foi um alivio que ele sentiu! Deve ter pensado: “ – Vou sair fora deste maluco enquanto é tempo!” e não é que não tiro a razão dele? Hoje vejo que entrava em cada fria que somente a mão de  Deus para me livrar, como vocês verão logo mais!
Levei o avião para Gurupi, e voltei a voar, afinal, só se faz um piloto é o deixando ele voar! Torrava uma nota em gasolina, só que naquele tempo o avgas era barato, correspondia ao preço da gasolina da carro, existia até uma propaganda da Embraer, focada nos fazendeiros, mostrando que ir para a fazenda num Corisco tornava-se mais barato que ir de camionete!
 
Ficou inviável trocar a camionete pelo avião é claro, pois no dia que privatizarem a Petrobras, vou tomar o maior pileque da vida, três dias na “margaça”! Orra, estes “caras” não se entendem, sobra gasolina de avião, eles exportam para fazer dólares, e bota um preço caro pra nós nas sobras! Que patriotismo é este? E dizem que não tem mercado, mas como? Se a Petrobras não deixa crescer o mercado? Houve época que o Brasil era o maior importador de aviões pequenos da Cessna!
 
Era só continuar oferecendo a gasolina com preço combativo que o mercado continuaria a crescer, e como estaríamos hoje? Com esta política a aviação de pequeno porte não se desenvolve, e olha o tamanho deste Brasil?
 
Na América a aviação também tinha um câncer, que estava impedindo o crescimento do setor, impulsionados pelos preços do seguro, que ficaram muito caro, tornando o custo dos aviões, proibitivo para as empresas! E o que fizeram?
 
Cortaram o seguro e criaram os “homebild” e, à partir daí voce comprava o kit do avião e montava na garagem de sua casa, sob sua inteira responsabilidade e risco!
 
E aqui, como iríamos cortar a Petrobras, detentora do monopólio no fornecimento dos combustíveis?
 
E o tempo foi passando, até meu pai, que sempre me desestimulou, já sentia com coragem de voar comigo, íamos para fazenda, e só voltávamos no dia que queríamos, afinal a minha vingança para com os pilotos que não gostavam de dormir junto com as muriçocas, tinha chegado ao fim! Era um homem realizado, piloto, o avião era meu, enfim, era o rei da cocada!
 
Doce engano, meus amigos, a “pauleira” ainda estava por vir, vocês verão!
 
Meu irmão Milton, que não tinha breve, logicamente se sentia dono do meu, afinal qual é a vantagem de ser gêmeo? Não é usar as coisas do outro? Passamos a vinda inteira usando a mesma roupa, até as cuecas eram compartilhadas, sem falar nas namoradas!
 
Porque não o breve?
Só tinha um porem: não sei se por maldade ou brincadeira, denunciaram para o DAC de Goiânia, a existência de gêmeos voando com o mesmo breve e armaram uma arapuca para nos prenderem!
 
Só que, como sempre, Deus estava do meu lado naquela dia, e conseguimos nos safar! A história aconteceu assim:
O filho de um amigo em Gurupi, sofreu um acidente, apresentando fratura craniana, e só tinha um jeito para salvá-lo, que era transportá-lo para Goiânia o mais rápido possível e foram pedir ao meu pai, autorização para que eu fosse levá-lo!
 
Só que no momento da partida, meu irmão gêmeo, que tinha interesse de ir a Goiânia, pediu-me para deixá-lo fazer o vôo, e como eu já estava meio cabreiro com tudo aquilo, (possivelmente prevendo o que poderia acontecer!) resolvi entregar não somente meu breve como todos os demais documentos, CPF,RG, enfim, coloquei minha carteira em seu bolso!
 
E lá se foi ele, e acabou não dando outra! Não o deixaram nem mesmo chegar na sala C onde se faz o plano de vôo, e ali mesmo, no pátio, exigiram todos os documentos, um por um, e meu irmão foi entregando, até que, no final perguntou porque estavam fazendo aquilo, obtendo como resposta:
 
“ – É que recebemos uma denúncia que seu irmão gêmeo estaria voando com seu breve, senhor Nilton!
– Imagine se eu ia permitir uma coisa dessas! Respondeu o Milton e aí é que digo, sorte é para quem tem e não para quem quer.
Não posso deixar de relatar o acidente do Milton com o avião, pois existe grande perigo, quando você compra um avião que não conhece, ou vocês pensam que não existe mutreta nesse meio?
 
Existe e muito, vejam vocês, não é que o danado do cherokee havia sofrido um acidente e a hélice sofreu uma bordoada tão grande que das pás ficou parecendo um U? E sabe o que fizeram?
 
Desentortaram na bordoada, pintaram e deram como nova, só porque uma nova devia estar custando uns $20.000,00 e aí o senhor Niltinho entra na história, feito besta!
 
Imagine você voar num avião com a hélice neste estado, não deu outra, claro, a bomba foi estourar na mão de meu irmão, que estava inocente, sem ter nada com isto.
Estava ele num vôo pelas bandas do rio Araguaia, felizmente passando no través da pista da fazenda da Madre Massa (aquela fabricante de maçarão de Goiânia), quando houve um estouro e a metade de uma pá da hélice foi para o espaço, com o avião entrando numa trepidação tão grande, que se ele não desligasse o motor, teria saído do berço, entrando em parafuso e aí, só um milagre mesmo!
 
Após ter conseguido fazer o motor parar, ainda conseguiu alcançar a metade da pista e foram parar na porta de uma serraria que existia no final da pista, quase que foram serrados junto com as torras, mas, enfim, conseguiram sobreviver.
 
Fui achar uma hélice para comprar, imagine aonde? Em Cuiabá, e lá chegando, fui saber da turma dos “malas” que haviam “engrupido” o japa e, como previsto, viraram farinha mesmo! Desapareceram! Comecei a acreditar então, que administrar avião não é “sopa” não!
A vida continuou, e até meu pai já arriscava a voar comigo. Sentia-me mais seguro, já fazia uns vôos mais longos, só o que mais me intrigava é que eu não conseguia estabilizar direito o avião!
 
Era uma dificuldade enorme, pois acabava de estabilizar, entrava em alguma área instável, ele saia totalmente da posição! Somente mais tarde vim descobrir que haviam esquecido um pedaço de ferro dentro da asa direita e assim, quando ele saia da posição, desestabilizava o avião por inteiro!
 
Isto é que dá comprar um avião de quem você não conhece! Aquele, meus amigos, era uma “carniça”!
 
Não me esqueço do dia em que dei uma carona a um amigo que era presidente da cooperativa de Porto Nacional e ele todo satisfeito, o vôo, uma maravilha, a paisagem lá de cima, uma beleza, imagine o tempo que ia gastar vindo de ônibus?
 
E no avião, somente duas horas e meia depois, já estava até pensando em comprar um quando, de repente, entramos em um mau tempo e este aviãozinho se esperneava todo, parecendo um cavalo bravo!
 
Fui perdendo altura, e quando sai visual, apareceu um “morro” na minha frente, e aí amigos, foi aquele sufoco fazer o avião pular por cima dele, quase não deu e, nesta altura, meu amigo já tinha perdido toda a vontade de comprar um!
 
Quando chegamos a Gurupi, ao descer do avião, ele disse para um amigo que o aguardava “da próxima vez, pego carona de caminhão, mas não de avião! Nunca mais!” Foi aí que vi, que para ser piloto tem que ter um parafuso a menos.
Outra passagem muito interessante, foi quando o Cabral, um velho funcionário do DAC, um baita cara, me pegou com algumas falhas na documentação e quis me reter no aeroporto de Goiânia, e aí amigos, o pega foi grande, pois tudo que eu alegava, não adiantava nada! Já me sentia totalmente ferrado, quando olhei bem para sua cabeça e vi que era nordestino!
 
Tive então, uma grande idéia, e perguntei-lhe, usando todo meu poder de persuasão:
“ – Conterrâneo, você vai mesmo me segurar aqui?” Virei o rosto para outro lado para que ele não visse meu riso, e percebi ele levantando sua grande sobrancelhas do lado direito e, olhando-me muito sério, perguntou:
“ – De onde você é, então?” Rapaz, aquela pergunta me pegou tão desprevenido, que não me vinha na memória nenhum nome de alguma cidade nordestina e, neste momento, com a boca aberta, respondi, na “buxa”:
“ – Sou de Bem te Vi ! (tinha acabado de ver um, no jardim do aeroporto)!
– Bem te Vim, Bem te Vi, aonde é esta cidade, cabra?” Ficou ele me olhando, meio desconfiado!
“ – Ó cabra, estou vendo que você não conhece mesmo nosso Estado, não é?
– Bem te Vi, agora sei onde fica, é no Nordeste, é nas catingas! Vai logo embora conterrâneo, e não me apareça mais por aqui com estes documentos fajutos, se não eu vou prender seu avião, e aí você vai ver o que é bom pra tosse!”
 
E eu tratei de sair dali rapidinho! Já tinha escapado das garras do DAC, e mais tarde fui obrigado a repetir a dose muitas vezes. O DAC é fogo, amigos!
Uma das vantagens de ser dono de avião ,e olha que são poucas, é ser tratado como rico, que maravilha, toda mundo quer dar uma voltinha, a mulherada nem se fala, é como você tivesse uma Ferrari, é um sucesso!
 
Até minha atual esposa, que tinha na época quinze anos, era linda, uns olhos, que faziam inveja a muita gente, caiu nessa! Na época os pilotos eram os reis da cocada, e ela embarcou, amigos, e até hoje  reclama, pois não tem uma boa casa, não tem carro novo, não viaja nas férias, e assim por diante, o rosário é grande, que adiantou ter casado com piloto? Diz ela! E é uma verdade, o Lula nos ferrou, castrando a Amazônia como ele fez, e acabei sendo obrigado a vender até o avião, afinal, voar para quem?
 
Hoje eu só voou no Flight Simulation, e nada mais! Encerrei mesmo a carreira. Infelizmente não tenho aposentadoria, vou ter que me ferrar para ganhar o meu, Deus que me ajude, daqui para diante, sem voar vai ser uma barra.
 
No entanto, a parte mais triste desta historia, foi quando a sorte me abandonou e acabei ficando a mercê da minha inexperiência, da minha burrice, pois o avião não teve culpa de nada, coitado, coube-me toda a responsabilidade pelo acidente. Exatamente o que não faz grande maioria dos colegas, que preferem jogar a culpa na aeronave!
Antes de tudo quero pedir perdão para meu falecido pai, pois foi o que mais sofreu, ele me viu cair no rio, porém do local em que se encontrava, não podia me ver saindo de dentro da água e acabou ficando com a sensação de ver o filho levado para as profundezas do rio, coitado, ele correu tentando me salvar mas suas pernas não ajudavam, amoleciam e ele caia, e foi assim até chegar a um barranco e ver que eu estava a salvo!
 
Foi quando se acalmou, levando um bom tempo para se recompor, coitado, e isto serviu-me de motivação para cuidar muito bem de meus passageiros, fazendo de tudo para que eles não sofressem de medo!
 
Via uma chuva e sabia que ia chacoalhar?  Desviava, e assim procurava tornar o voo o mais agradável possível.
Era inverno, as chuvas não paravam de cair e, o rio Javaé (braço menor do Rio Araguaia) bufava, a água já tinha chegado à barranca, os varjões todos alagados, nem os “beiradeiros” aquentavam mais, só se via gente procurando as partes mais altas, e por infelicidade havíamos deixado umas quinhentas cabeças de gado na fazenda Barreira da Cruz, bem ali na desembocadura do rio Formoso com o rio Javaé, e nosso vaqueiro veio nos avisar que havia necessidade de tirar o gado antes que a enchente chegasse e destruísse o rebanho!
 
Fui com meu pai mais o vaqueiro que se chamava Jô, para a fazenda tentar solucionar o problema e ali havia uma “finada” pista, abandonada, cheia de mato, só estava seca a parte que era na beira do rio o resto já estava alagada e o “besta aqui” resolveu pousar para ir socorrer as vaquinhas!
 
Irmãos, o perigo do piloto esta até nas duzentas horas, ele pensa que já sabe voar mas, doce engano, ele está preparado sim para quebrar a cara e foi que aconteceu comigo, hoje com minha experiência tinha dado meia volta, afinal melhor preservar nossas vidas que as do gado!
Meu pai ainda me perguntou se devíamos pousar, afinal ele tinha visto a pista muito alagada, só eu é que não via, acreditem, eu já tinha o avião na mão, não via dificuldade em pousar e sair dali !
 
Meti a cara, para baixo, seguindo o ditado que diz, que para baixo todo santo ajuda (e ajudou mesmo!), e logo o avião parou naquela pista cheia de água!
Descemos, e fomos para o rancho que havia no barranco do rio, meu pai foi se interar da situação e eu fui pescar piranha pois era só que se pegava por ali, além de ver os botos a nadar na beirada do rio.
Depois de muita conversa resolvemos largar o gado ali mesmo, e eu iria buscar uns equipamentos de meu pai em nossa fazenda do outro lado do rio Douradinho, bem próximo dali, para que ele ficasse cuidando do gado por ali mesmo.
Vocês acreditam que não vi nenhum perigo em tentar decolar dali, com aquela pista alagada? Achava que após correr a parte pior, que era mais longe da beira do rio e chegasse à parte mais enxuta, que era mais perto da barranca, ganharia velocidade suficiente e decolaria numa boa, pois, com a outra margem bem distante, não havia nada que pudesse atrapalhar!
 
Era só fazer um vôo rasante que teria velocidade suficiente para subir depois! Doce engano, deu tudo ao contrário, pois o avião não ganhou velocidade e quando a pista estava acabando e puxei o manche para ele sair do chão, não deu outra, ele estolou e fomos parar dentro do rio.
 
A “porrada” foi tão grande que graças a Deus, a única porta que o avião tinha, justamente do lado do co-piloto foi jogada para fora, e meu amigo Jó, dono de uma barriga enorme, levou um sopapo do manche na boca do estomago, que o deixou desacordado!
 
Quando dei por mim, já estava de pé sobre a asa do avião,  passando por cima do meu amigo desacordado e foi aí que cai na realidade e tratei de soltar o cinto de segurança que apertava meu amigo, dando-lhe um safanão que acordasse pois, sozinho, não daria conta de salvá-lo! Enfim ele acordou e eu disse:
“ – Jó vamos sair daqui, que vai afundar rápido!” Moço, como a água entrou rápido, já passando toda pelo assoalho! Neste instante vi meu amigo naquela calma, tirando a botina e isto acabou por acalmar-me, também, deixando a correnteza levar a mim e ao avião!
 
Foi então que tive uma idéia meio maluca, de tentar salvar o avião pois, no rumo que a correnteza ia nos levando, existia uma grande figueira e seus galhos eram tão longos que íamos passar por debaixo deles! Gritei para o Jô:
“ – Pule na água e venha me ajudar a segurar o avião, quando ele for passar por debaixo daquelas galhadas! E não é que ele pulou, e nadou até nos alcançar? Eu na ponta da asa, tentando amarrar aquelas galhas no espaço entre o aileron e ponta da asa!
 
Que estupidez a minha, pois minha mão ficou presa naquele emaranhado de galhos, quase me arrastando junto,para o fundo!
 
Quando percebi que a cauda do avião subia e nariz afundava, senti que não tinha mais jeito, gritei para o Jó:
“ – Largue esta desgraça para lá que já esta afundando, vamos para o barranco!” E saímos a nadar, só que com bota, camisa de manga comprida e calça Jean, não foi nada fácil alcançar a margem!
 
Felizmente saímos de dentro do rio, ai tive a minha maior tristeza, vi o rio Araguaia engolir meu avião e eu sem poder fazer nada para salvá-lo! Foi muito triste!
 
Tudo isto porque ainda não tinha a experiência necessária, ainda tinha muito a aprender!
 
E assim termino esta historia deixando para a próxima “Como foi que eu localizei o avião no fundo do rio e o recuperei”! E não pensem que saí no prejuízo porque não saí mesmo! Mas espero que tenham gostado de mais esta aventura!

 

Comandante Niltinho
é piloto de garimpo